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Notícias/TECNOLOGIA23/08/2026· KF News

IA pode melhorar o aprendizado, mas pesquisa mostra que resultado depende de como a tecnologia é usada

Uma pesquisa publicada na revista científica npj Science of Learning, do grupo Nature, analisou dados de quase 4.600 alunos em 28 estudos diferentes para responder uma pergunta que muita escola e família está se fazendo: a inteligência artificial ajuda o aluno a aprender ou só entrega a resposta pronta?

O resultado mostrou que a IA pode, sim, melhorar o aprendizado, mas não necessariamente mais do que outras ferramentas digitais de ensino já existentes. Dos oito estudos que compararam tutores de IA com o ensino tradicional, sete encontraram ganhos significativos, de médio a grande porte. Em um deles, realizado na China, alunos que usaram IA para estudar o teorema de Pitágoras evoluíram 4,19 vezes mais do que os que só tiveram aula convencional. Já quando a comparação foi feita com outras ferramentas digitais que não usam IA, apenas um dos quatro estudos mostrou vantagem clara para a inteligência artificial.

Ricardo Villar, vice-presidente de AI Solutions da Software.com.br, explicou em entrevista à CNN Brasil que um chatbot genérico funciona como uma calculadora: resolve a operação, mas não ensina o aluno a pensar. Para ele, ferramentas como o ChatGPT e o Gemini são baratas e eficientes para tirar dúvidas, mas não foram criadas para fins educacionais e têm dificuldade em acompanhar a evolução de cada estudante.

Villar defende que o segredo está na combinação entre tecnologia e estratégia pedagógica, sabendo quando ajudar, quanto ajudar e quando deixar o aluno pensar sozinho. Muitas escolas particulares já usam IA para personalização do aprendizado, correção de textos e preparação para o Enem. Já a rede pública ainda enfrenta internet limitada, falta de equipamentos e restrição orçamentária, o que pode aprofundar desigualdades.

O Piauí se tornou o primeiro território das Américas a incluir IA como disciplina obrigatória no 9º ano do ensino fundamental e no ensino médio da rede estadual. A revisão da npj Science of Learning recomenda cautela: os efeitos positivos existem, mas ainda faltam estudos mais longos e pesquisas sobre equidade e ética no uso da tecnologia.

Fonte: CNN