
POLITICA - Fake news sobre Nossa Senhora Aparecida entra na disputa eleitoral de 2026 e mobiliza eleitores católicos contra Flávio Bolsonaro
Um boato falso afirmando que Flávio Bolsonaro (PL) pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil tomou conta das redes sociais nesta semana. Não existe nenhuma proposta ou declaração do candidato nesse sentido. Mesmo assim, a mensagem se espalhou pelo Instagram, X, TikTok, Kwai, WhatsApp e Telegram, gerando indignação entre eleitores católicos e pedidos de voto contra Flávio.
Segundo levantamento da empresa Palver, citado pela Folha de S.Paulo, cerca de 37% das mensagens analisadas trataram o boato como verdade. O pico de menções foi em 25 de setembro, com 735 registros para cada 100 mil mensagens. A maior parte das publicações com posicionamento era crítica ao candidato.
O boato ganhou força depois de uma referência feita pela jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews. A emissora depois se retratou e esclareceu que o assunto era um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, de Mato Grosso, arquivado em 2008, sem nenhuma relação com Flávio Bolsonaro. À época, Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro e não tinha atuação sobre a proposta no Congresso.
Flávio negou tudo em vídeo: "Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto." No dia seguinte, reforçou: "Isso é uma fake news e não existe absolutamente nada de concreto, nem projeto." O candidato também disse ser evangélico e afirmou respeitar todas as religiões.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) publicou vídeo garantindo que as tradições religiosas seriam preservadas num eventual novo governo de Lula. Já o presidente Lula, em entrevista à BandNews no domingo (27), disse não saber se a informação era falsa: "O dado concreto é que isso está na rede social muito forte." Lula também relembrou o episódio de 1995 chamado de "chute na santa", quando um bispo da Igreja Universal chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em programa de TV.
O ministro do TSE André Mendonça determinou na sexta (25) a retirada das publicações que tratavam o boato como verdade, com multa de R$ 50 mil por dia para quem descumprisse. Dois dias depois, o ministro do STF Flávio Dino derrubou a decisão após pedido do ator Antônio Tabet, que havia tido uma publicação removida. A campanha de Flávio reagiu e acusou Dino de atuar politicamente em favor de Lula — alegação da campanha, sem conclusão judicial.
Fonte: Folha Gospel




