
Um estudo feito por pesquisadores da Unicamp e da Unesp mostrou que o envelhecimento reduz a capacidade do cérebro e dos músculos de usar o oxigênio durante a atividade física. A pesquisa avaliou 40 pessoas fisicamente ativas — 20 jovens e 20 idosos — que caminharam por 10 minutos numa esteira em intensidade moderada. O monitoramento foi feito por uma tecnologia chamada NIRS, que usa luz infravermelha para medir a oxigenação dos tecidos sem precisar de procedimentos invasivos. Sensores foram colocados na parte frontal do cérebro, na coxa e no braço dos participantes.
Entre os jovens, a oxigenação do córtex pré-frontal foi crescendo progressivamente até o 7º minuto do exercício. Nos idosos, essa resposta não foi observada. Segundo a professora Fúlvia de Barros Manchado-Gobatto, da Unicamp e uma das autoras do estudo, isso indica um prejuízo na chegada de oxigênio ao cérebro durante o esforço — oxigênio essencial para planejar e executar os movimentos com sucesso.
Nos músculos, os jovens também registraram maior aproveitamento do oxigênio para produzir energia. Os idosos tiveram variação menor nesse indicador. Além disso, os participantes mais velhos produziram menos lactato após o exercício, o que, segundo os pesquisadores, indica menor ativação de um dos mecanismos do corpo para gerar energia durante o esforço. A recuperação da oxigenação cerebral depois da caminhada também foi mais lenta nos idosos.
A geriatra Erika Satomi, do Einstein Hospital Israelita, afirmou que esses resultados podem estar relacionados a mudanças nos vasos sanguíneos e nas mitocôndrias, que são as estruturas das células responsáveis pelo uso do oxigênio. Apesar das diferenças encontradas, os pesquisadores reforçam que idosos não devem reduzir a prática de exercícios. A atividade física está associada à melhora do bem-estar e à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes, depressão e quedas. O estudo foi publicado no Translational Journal of the American College of Sports Medicine.
Fonte: Poder360




