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Notícias/SAÚDE10/09/2026· KF News

Estudo com 450 mil pessoas aponta que carne processada aumenta risco de câncer no estômago e esôfago

Um estudo internacional com mais de 450 mil participantes acompanhados por mais de 14 anos apontou que o consumo frequente de carne processada está associado a um risco maior de câncer no estômago e no esôfago. Os resultados foram publicados em maio no International Journal of Cancer e focaram nos tumores do tipo adenocarcinoma, que se desenvolvem nas células glandulares e estão entre os mais comuns nessas regiões do corpo.

Os pesquisadores calcularam que cada 30 gramas a mais de carne processada por dia esteve associado a um aumento de 9% no risco de câncer gástrico e de 13% no risco de adenocarcinoma de esôfago. A relação foi mais evidente em um subtipo chamado câncer gástrico intestinal, que está entre os mais frequentes no mundo. Bacon, salsicha e outros embutidos fazem parte do grupo das carnes processadas, que passam por métodos como cura, defumação ou adição de conservantes.

Ao analisar outros tipos de carne, os resultados foram diferentes. A carne vermelha não processada não mostrou relação relevante com esses tumores. Já no caso da carne branca, o estudo encontrou um dado específico: entre mulheres, o consumo adicional de 20 gramas por dia foi associado a maior ocorrência de câncer em partes do estômago — algo que não apareceu entre os homens.

Para explicar os resultados com carnes processadas, os pesquisadores apontam que esses alimentos podem aumentar a ingestão de sal e de substâncias formadas durante o processamento e o preparo, irritando a mucosa do estômago. Além disso, compostos gerados em altas temperaturas podem causar danos ao DNA e favorecer alterações celulares. Apesar do grande número de participantes e do longo período de acompanhamento, o estudo não permite afirmar uma relação de causa direta, já que os dados sobre consumo de carne foram coletados apenas no início da pesquisa. Os autores defendem que novas pesquisas investiguem os mecanismos envolvidos para orientar melhor as recomendações alimentares.

Fonte: Metropoles