
Um novo estudo publicado nesta segunda-feira, dia 5 de outubro, no Canadian Medical Association Journal revelou que pessoas negras enfrentam muito mais complicações sérias durante a gravidez, o parto e o pós-parto do que pessoas brancas. A pesquisa analisou dados de quase 1,5 milhão de nascimentos no Canadá entre 2012 e 2023.
Os números são expressivos: a taxa de complicações graves foi de 47,8 casos por mil nascimentos entre pessoas negras, enquanto entre pessoas brancas o índice foi de 27,7 por mil. No total, pessoas negras tiveram 66% mais chance de enfrentar esse tipo de problema. As complicações analisadas incluem situações com risco de vida, como pré-eclâmpsia, hemorragia, sepse, problemas cardíacos e insuficiência renal, podendo ocorrer durante a gestação, no parto ou nas semanas seguintes.
A diferença se manteve em todos os grupos analisados: entre diferentes faixas de renda, entre imigrantes e não imigrantes, e mesmo após excluir doenças específicas como anemia falciforme e HIV.
A epidemiologista Giulia Muraca, da Universidade McMaster e uma das autoras do estudo, foi direta: "Ser negra não é causa de complicações graves na gravidez. Raça é uma construção social." A médica Cynthia Maxwell, especialista em medicina materno-fetal, também participou da pesquisa e reforçou que as diferenças persistem mesmo quando outros fatores individuais são considerados.
Os pesquisadores pedem mudanças nos sistemas de saúde, como o registro de informações raciais, divulgação de dados detalhados, treinamento das equipes e criação de estratégias com participação das comunidades afetadas.
Fonte: Metropoles - Saúde




