
Um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados projeta que a dívida pública brasileira pode ultrapassar 100% do PIB entre 2032 e 2035. O documento descreve o cenário atual como de "fadiga fiscal": uma situação em que o governo perde a capacidade de controlar o crescimento da dívida, mesmo quando consegue fechar o caixa no positivo — o chamado superávit primário.
O consultor Paulo Bijos, autor do levantamento, explica que existem limites tanto para aumentar impostos quanto para cortar gastos. Segundo ele, o Brasil já opera em uma região de resistência para novos aumentos de carga tributária. Além disso, os gastos públicos devem continuar crescendo nos próximos anos por causa do envelhecimento da população brasileira — processo conhecido como transição demográfica.
A Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui governo federal, INSS e governos estaduais e municipais, chegou a 81,1% do PIB em maio, o equivalente a R$ 10,6 trilhões. Esse é o maior nível em cinco anos — em 2021, o índice estava em 81,4% do PIB.
Se essa trajetória de alta continuar, o Brasil terá registrado a segunda maior alta de dívida entre os países do G20, atrás somente da China. Essa projeção é de um levantamento do Instituto Teotônio Vilela, órgão de estudos do PSDB.
Para estabilizar a dívida nos atuais 80% do PIB, seria necessário um ajuste equivalente a R$ 330 bilhões por ano. Para comparar: todas as despesas não obrigatórias do Orçamento de 2026 somam cerca de R$ 240 bilhões — menos do que esse ajuste exigiria. Bijos defende que o governo eleito apresente novas soluções estruturais no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2028 e alerta que é importante manter distância dos limites máximos da dívida para preservar espaço em momentos de crise.
Fonte: CNN




