
A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, cortou a projeção de crescimento do PIB do Brasil em 2026. A estimativa saiu de 2% para 1,6%, com revisão para baixo motivada principalmente pelo cenário mais difícil para a indústria. Para o setor industrial como um todo, a projeção também caiu, de 2% para 1,3%.
Segundo Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, os setores que não dependem tanto do chamado ciclo econômico, como a extração mineral e a agropecuária, mantêm ou até aumentam suas projeções de crescimento. Já os setores mais sensíveis aos juros, como a indústria de transformação, o comércio e, em alguma medida, os serviços, caminham na direção contrária.
A CNI também prevê que a pressão inflacionária deve crescer, puxada por alimentos, preços administrados — como energia e combustíveis — e serviços. A inflação medida pelo IBGE nos últimos 12 meses está em 4,26%, mas a projeção considerada pela entidade é de 5,15%.
Para contextualizar: o PIB brasileiro de 2025 fechou em alta de 2,3%, segundo o IBGE. Para 2026, o Banco Central projeta crescimento de 1,8%, o governo federal acredita em 2%, e o FMI, que também revisou para baixo, projeta 2,2%.
Além disso, a CNI divulgou o estudo Coeficientes de Abertura Comercial, que mostrou recorde na participação de produtos estrangeiros no mercado brasileiro. Em 2025, o índice de penetração das importações chegou a 28,3%, alta de 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior e o maior nível desde o início da série histórica, em 2003. A superintendente Constanza Negri defendeu que o Brasil precisa fortalecer tanto sua integração internacional quanto sua defesa comercial para garantir competitividade à indústria nacional.
Fonte: Metropoles




