
Promotores da Municipalidade de Xangai, na China, indiciaram 17 membros de uma rede internacional de tráfico humano. O grupo atraía pessoas em busca de emprego e as vendia para esquemas de golpes cibernéticos operados em Myawaddy, cidade no leste de Mianmar. As acusações apresentadas incluem tráfico de mulheres, cárcere privado, roubo e sequestro.
Segundo a mídia estatal chinesa, a quadrilha operava a partir de Myawaddy e usava escoltas armadas para transportar as vítimas pela fronteira. Algumas eram estupradas e forçadas à prostituição antes de serem vendidas para locais que aplicavam golpes.
O ator chinês Wang Xing está entre as vítimas confirmadas. Ele foi atraído por um falso diretor de elenco e viajou para Bangkok em 3 de janeiro de 2025. Dados de localização o colocaram depois em Mae Sot, cidade tailandesa na fronteira com Mianmar. As autoridades tailandesas o encontraram dias após o desaparecimento, depois de protestos públicos e negociações diplomáticas. No local, Wang teve a cabeça raspada e foi obrigado a passar por treinamento de digitação. O Ministério da Segurança Pública da China confirmou que Wang, o técnico de iluminação Sun Qiang e outros foram resgatados.
A quadrilha publicava anúncios falsos de recrutamento nas redes sociais desde dezembro de 2024, mirando atores e modelos. O grupo pagava passagens aéreas e hospedagem para levar as vítimas pela Tailândia até Mianmar. Polícias da China e da Tailândia já haviam detido 12 suspeitos ligados à operação antes das acusações formais.
Benedikt Hofmann, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, descreveu Myawaddy como um dos centros de golpes mais conhecidos da região e afirmou que muitos casos seguem um padrão parecido, com anúncios falsos de emprego na Tailândia e exploração sexual ligada aos centros de golpes. O advogado Zhang Zhiwei, especializado em tráfico de pessoas, disse que o caso de Wang aumentou muito a consciência pública sobre o tema e que essas organizações tratam as vítimas como mercadorias.
Fonte: Poder360




