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Notícias/NEWS20/08/2026· KF News

China indicia 17 pessoas por rede de tráfico que vendia vítimas para golpes cibernéticos em Mianmar

Promotores da Municipalidade de Xangai, na China, indiciaram 17 membros de uma rede internacional de tráfico humano. O grupo atraía pessoas em busca de emprego e as vendia para esquemas de golpes cibernéticos operados em Myawaddy, cidade no leste de Mianmar. As acusações apresentadas incluem tráfico de mulheres, cárcere privado, roubo e sequestro.

Segundo a mídia estatal chinesa, a quadrilha operava a partir de Myawaddy e usava escoltas armadas para transportar as vítimas pela fronteira. Algumas eram estupradas e forçadas à prostituição antes de serem vendidas para locais que aplicavam golpes.

O ator chinês Wang Xing está entre as vítimas confirmadas. Ele foi atraído por um falso diretor de elenco e viajou para Bangkok em 3 de janeiro de 2025. Dados de localização o colocaram depois em Mae Sot, cidade tailandesa na fronteira com Mianmar. As autoridades tailandesas o encontraram dias após o desaparecimento, depois de protestos públicos e negociações diplomáticas. No local, Wang teve a cabeça raspada e foi obrigado a passar por treinamento de digitação. O Ministério da Segurança Pública da China confirmou que Wang, o técnico de iluminação Sun Qiang e outros foram resgatados.

A quadrilha publicava anúncios falsos de recrutamento nas redes sociais desde dezembro de 2024, mirando atores e modelos. O grupo pagava passagens aéreas e hospedagem para levar as vítimas pela Tailândia até Mianmar. Polícias da China e da Tailândia já haviam detido 12 suspeitos ligados à operação antes das acusações formais.

Benedikt Hofmann, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, descreveu Myawaddy como um dos centros de golpes mais conhecidos da região e afirmou que muitos casos seguem um padrão parecido, com anúncios falsos de emprego na Tailândia e exploração sexual ligada aos centros de golpes. O advogado Zhang Zhiwei, especializado em tráfico de pessoas, disse que o caso de Wang aumentou muito a consciência pública sobre o tema e que essas organizações tratam as vítimas como mercadorias.

Fonte: Poder360