
A carne bovina brasileira pode demorar cerca de dois anos para voltar a ser vendida plenamente para a União Europeia. Quem faz essa avaliação é Eric Thévenard, chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
O maior obstáculo é a necessidade de provar que os animais foram criados dentro das regras europeias sobre uso de antimicrobianos durante toda a vida — do nascimento até o abate. Registros feitos apenas na fase final de engorda não são suficientes para atender às exigências do bloco. "Exigimos garantias para todo o ciclo de vida dos animais", declarou a porta-voz da Comissão Europeia em briefing realizado em Bruxelas em 1º de setembro.
As restrições entraram em vigor em 3 de setembro de 2026, depois que o Brasil saiu da lista europeia de países autorizados a exportar determinados animais e produtos de origem animal sob as novas regras. Isso interrompeu um período de expansão das vendas: entre janeiro e agosto de 2026, a receita com exportações chegou a US$ 791,3 milhões, crescimento de 44,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, o mercado europeu movimentou aproximadamente US$ 1,05 bilhão.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, esperava retomar as vendas no primeiro semestre de 2027, mas esse prazo está sob pressão. Em reunião em 30 de setembro, representantes do Brasil pediram à Comissão Europeia um procedimento mais rápido, semelhante ao adotado para frango e mel — setores que já passaram pela auditoria europeia com resultado positivo. A diferença é que o frango é criado em poucas semanas, enquanto o bovino leva anos até o abate, o que torna mais difícil comprovar todo o histórico do animal.
Para os pecuaristas, o episódio reforça a importância da rastreabilidade e dos registros sanitários desde a fazenda de cria. Frigoríficos e confinadores podem precisar ampliar a integração com os criadores para garantir documentação completa desde o nascimento dos animais.
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