
O bolsonarismo nasceu com o discurso de quem estava contra tudo que representava o sistema político brasileiro. Em 2018, Jair Bolsonaro foi eleito como o candidato "contra tudo isso que está aí". Mesmo acumulando quase três décadas como deputado federal, ele construiu uma imagem de outsider, aproveitando a crise de representação no país e o antipetismo.
Oito anos depois, o cenário é outro. A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência é apontada como sinal de que o movimento abandonou a postura de desafio à ordem para disputar sua administração por dentro. Ao emular a postura do pai, Flávio reproduz mecanismos tradicionais de poder — o oposto do discurso de ruptura que deu origem ao bolsonarismo.
Os ataques ao STF continuaram, mas com motivações restritas, segundo a análise, aos processos judiciais da ex-primeira-família. O escândalo Master desgastou a bandeira do anticorrupção e reacendeu o velho argumento do "E o PT hein?". O alinhamento com Trump e os efeitos do tarifaço geraram a imagem de traição ao país.
Nas redes sociais, campo que o bolsonarismo dominou por anos com produção de conteúdo, monetização de audiência e mobilização permanente, o movimento agora perde terreno para a esquerda. Sem Jair Bolsonaro como figura centralizadora, o movimento se fragmentou entre Zema, Caiado, Michelle, Renan Santos e outros nomes, todos disputando o legado, a sucessão familiar e as posições centrais de poder. A rebeldia, que foi o maior ativo eleitoral do movimento, cedeu lugar ao que o texto chama de canibalismo interno.
Fonte: Metropoles




