
O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, abriu uma crise de confiança dentro do governo Lula. A decisão foi tomada pelo ministro do STF André Mendonça na terça-feira, 8 de setembro de 2026. No Planalto, passou a circular a percepção de que o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, teria agido em sintonia com Mendonça para que isso acontecesse. Os governistas usam como argumento o fato de a AGU ter hesitado em apresentar recursos no STF a pedido da PF, além da boa relação entre Messias e o ministro.
Na quarta-feira, 9 de setembro, o ministro Flávio Dino mandou reintegrar Andrei ao cargo. O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões tanto de Mendonça quanto de Dino, mantendo Andrei na chefia da PF. A decisão de Fachin veio após pedido da própria AGU para suspender o afastamento determinado por Mendonça. Na sexta-feira, 11 de setembro, Mendonça voltou a defender o afastamento, gerando nova insatisfação de Andrei.
Por conta dessa crise de confiança em Messias, Lula passou a cogitar indicar o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, à vaga aberta no STF. Vale lembrar que, em 29 de abril, o Senado já havia rejeitado a indicação de Messias ao Supremo: foram 42 votos contra e apenas 34 a favor, quando precisava de 41 para ser aprovado. Foi a primeira rejeição de um indicado presidencial ao STF em 132 anos. No dia seguinte, 30 de abril, Messias publicou agradecimento público a Mendonça, chamando-o de "irmão".
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, aliado de Messias e integrante da coordenação de campanha de Lula, disse ao Poder360 que há uma tentativa de desgastar o AGU por causa da vaga aberta no STF. Ele afirmou ainda que Messias "participou de forma decisiva das articulações pela manutenção de Andrei no cargo". A AGU, por sua vez, disse em nota que sua decisão foi "estritamente técnica e jurídica" e que não tem competência para atuar na esfera criminal nos termos pedidos pela PF.
Fonte: Poder360




